23 de out de 2012

Série "Revelações Cotidianas" e um pouco sobre arte e fé

O Espírito Santo na Estação Tietê - xilogravura - 36 x 13 cm - 2012

A Santa Ceia no Refeitório - xilogravura - 21 x 28 cm

A Virgem Maria dos Pontos de Ônibus - xilogravura - 25 x 14 cm

Esta série foi "atualizada" e recebeu cores - veja aqui!

A série "Revelações Cotidianas" é composta por três xilogravuras e trata sobre um tema sempre difícil de ser abordado sem cair em simplismos ou radicalismos: a religião.
Nesta série, busquei elaborar uma espécie de "mão-dupla", onde se possa discutir tanto as relações do homem perante Deus como também o papel de Deus perante o homem. Desta forma, cria-se um dualismo: figuras sagradas aparecem em cenas cotidianas e experiências cotidianas se revestem de significado sagrado.
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A meu ver, arte e religião sempre tiveram uma relação tensa. Nem poderia ser diferente: a grosso modo, a religião sempre esbarra no dogma, enquanto a arte sempre acaba na transgressão.
Porém, apesar de tensa, nem sempre esta relação foi de oposição, ao contrário: em diversos momentos foi inclusive complementar, como no caso da Idade Média, onde a Igreja e a arte constroem uma relação riquíssima, embora muitas vezes conturbada.
E embora na arte contemporânea dificilmente um artista seja "patrocinado" por determinada religião, esta ainda é um tema recorrente e muito válido; basta lembrar do trabalho de Francis Bacon com suas crucificações, por exemplo. Assim, a arte alcança um novo patamar nesta conturbada relação, onde possibilita formas alternativas de discutir, compreender e problematizar a religião.

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The series "Everyday Revelations" is composed of three woodcuts (in order: "The Holy Spirit at the train station", "Holy Supper in the refeitory" and "Virgin Mary of the Bus Stop") and treats on a topic always difficult to be approached without falling into simplistic or radicalism: religion.
In this series, I tried to develop a kind of "two-way", where they can discuss both the relationship of man to God as well as the role of God before man. Thus, it creates a dualism: sacred figures appear in everyday scenes and everyday experiences become of sacred significance.
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In my view, art and religion have always had a strained relationship. Neither could be different: roughly speaking, religion always coming up in dogma, while art always ends in transgression.
But despite tense relationship was not always this opposition, on the contrary: at various times was also complementary, as in the Middle Ages, where the church and art build a rich relationship, though often troubled.
And although the contemporary artist is hardly "sponsored" by a particular religion, this is still a recurring theme and very valid, as in the work of Francis Bacon with his crucifixion, for example. Thus, art reaches a new level in this troubled relationship, which allows alternative ways to understand and discuss religion.

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